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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Safra recorde de cana deve beneficiar Brasil frente ao etanol de milho dos EUA

Aumento do milho pode elevar demanda por etanol brasileiro, diz 'WSJ'

Safra recorde de cana deve beneficiar Brasil frente ao etanol de milho dos EUA.

Os produtores brasileiros de etanol estão vendo uma "janela de oportunidade" para aumentar suas exportações, por causa da pressão sofrida pelos produtores americanos de etanol com a elevação dos preços do milho, segundo afirma reportagem publicada nesta segunda-feira pelo diário americano The Wall Street Journal.


O etanol brasileiro é fabricado a partir da cana-de-açúcar e sua produção é mais barata que a do etanol americano, feito a partir do milho.

Segundo o jornal, uma das razões para o possível aumento das exportações brasileiras de etanol é a safra recorde de cana-de-açúcar no Brasil, "facilmente ultrapassando as 500 milhões de toneladas, segundo analistas".

"Este volume, e os estimados 20 bilhões de litros ou mais de etanol que serão produzidos a partir disso, empurrarão os preços do etanol brasileiro para baixo", observa a reportagem.

Lucro

Segundo o jornal, os preços do álcool brasileiro no atacado estão em cerca de US$ 1,64 por galão, enquanto que o etanol americano é vendido por US$ 2,55 o galão.


"Mesmo com uma tarifa de importação de 54 cents imposta sobre o etanol brasileiro, seu preço ficaria em US$ 2,18 o galão", diz o texto.

Por outro lado, comenta o jornal, os altos preços do milho "significam que os produtores de etanol americanos terão uma pequena margem de lucro ou nenhum lucro".

"Os preços do milho dispararam após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos ter relatado uma queda de 8% no cultivo estimado de milho para esta safra", diz o Wall Street Journal.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Vantagens do Biodiesel

Vantagens do Biodiesel



Por que usar biodiesel?

Cada vez mais o preço da gasolina, diesel e derivados de petróleo tendem a subir. A cada ano o consumo aumenta e as reservas diminuem. Além do problema físico, há o problema político: a cada ameaça de guerra ou crise internacional, o preço do barril de petróleo dispara.

O efeito estufa, que deixa nosso planeta mais quente, devido ao aumento de dióxido de carbono na atmosfera (para cada 3,8 litros de gasolina que um automóvel queima, são liberados 10 kg de CO2 na atmosfera). A queima de derivados de petróleo contribui para o aquecimento do clima global por elevar os níveis de CO2 na atmosfera.

Vantagens na utilização do Biodiesel

  • É energia renovável. No Brasil há muitas terras cultiváveis que podem produzir uma enorme variedade de oleaginosas, principalmente nos solos menos produtivos, com um baixo custo de produção.
  • O biodiesel é um ótimo lubrificante e pode aumentar a vida útil do motor.
  • O biodiesel tem risco de explosão baixo. Ele precisa de uma fonte de calor acima de 150 graus celcius para explodir
  • Tem fácil transporte e fácil armazenamento, devido ao seu menor risco de explosão.
  • O uso como combustível proporciona ganho ambiental para todo o planeta, pois colabora para diminuir a poluição e o efeito estufa.
  • A viabilidade do uso direto foi comprovada na avaliação dos componentes do motor, que não apresentou qualquer tipo de resíduo que comprometesse o desempenho.
  • Para a utilização do biocombustível, não precisa de nenhuma adaptação em caminhões, tratores ou máquinas.
  • O biodiesel é uma fonte limpa e renovável de energia que vai gerar emprego e renda para o campo, pois o país abriga o maior território tropical do planeta, com solos de alta qualidade que permitem uma agricultura auto-sustentável do plantio direto; topografia favorável à mecanização e é a nação mais rica em água doce do mundo, com clima e tecnologia que permitem a produção de duas safras ao ano.
  • Por outro lado, o diesel do petróleo é um combustível não-renovável. O petróleo leva milhões de anos para se formar.
  • Substitui o diesel nos motores sem necessidade de ajustes.
  • O produtor rural estará produzindo seu combustível.
  • Diminuição da poluição atmosférica.
  • Redução de custos na propriedade.
  • No caso do biodiesel Eco Óleo o produtor não compra o biodiesel, a comercialização será por meio de permuta, ou seja: troca de mercadorias como, por exemplo, o produtor entrega o girassol e recebe o Eco Óleo. Será o uso cativo.
  • O produtor estará fazendo rotação de culturas em sua propriedade, incorporando nutrientes na sua lavoura.
  • O biodiesel é usado puro nos motores, porém aceita qualquer percentual de mistura com o diesel, pois é um produto miscível.
  • Outra grande vantagem é que, na formação das sementes, o gás carbônico do ar é absorvido pela planta.
  • O calor produzido por litro é quase igual ao do diesel.
  • Pouca emissão de partículas de carvão. O biodiesel é um éster e, por isso, já tem dois átomos de oxigênio na molécula.
  • Na queima do biodiesel, ocorre a combustão completa.
  • É necessária uma quantidade de oxigênio menor que a do diesel.
  • É uma fonte de energética renovável, a exemplo de todos os produtos originários do ciclo produtivo da agroindústria. Nesse ciclo, a energia que está armazenada nos vegetais, no caso o grão da soja, é transformada em combustível e depois da combustão uma parte destina-se à operação de um sistema como um motor, e outra retorna para a nova plantação na forma de CO2, o CO2 combinado com a energia solar realimenta o ciclo.
  • Não são necessárias alterações na tecnologia (peças e componentes) e de regulagem. Apenas é preciso que o biodiesel tenha uma qualidade definida. Por ser um produto natural e biodegradável, surgem problemas de degradação natural. Ao utilizar biodiesel você estará utilizando qualidade.
  • Os óleos vegetais usados na produção do biodiesel podem ser obtidos do girassol, nabo forrageiro, algodão, mamona, soja, canola... Qualquer oleaginosa.
  • É constituído de carbono neutro. As plantas capturam todo o CO2 emitido pela queima do biodiesel e separam o CO2 em Carbono e Oxigênio, neutralizando suas emissões.
  • Contribui ainda para a geração de empregos no setor primário, que no Brasil é de suma importância para o desenvolvimento social e prioridade de nosso atual governo. Com isso, segura o trabalhador no campo, reduzindo o inchaço das grandes cidades e favorecendo o ciclo da economia auto-sustentável essencial para a autonomia do país.
  • Muito dinheiro é gasto para a pesquisa e prospecção do petróleo. O capital pode ter um fim social melhor para o país, visto que o biodiesel não requer esse tipo de investimento.
  • Podemos prever claramente os efeitos positivos do biodiesel, analisando os benefícios da adição do etanol na gasolina. O etanol vem da indústria do álcool, uma indústria forte e que faz circular um grande volume de capital, gera empregos e ainda gera dinheiro para o governo através dos impostos, ajudando a reduzir o déficit publico.
  • A maior parte dos veículos da indústria de transporte e da agricultura usam atualmente o diesel. O biodiesel é uma alternativa econômica, tendo a vantagem de ser confiável, renovável e fortalecer a economia do país gerando mais empregos.
  • Como combustível já é uma realidade em expansão.
  • Beneficia os agricultores e contribui para o crescimento econômico dos municípios, pois reduz a exportação de divisas e permite a redução de custo desse insumo.
  • preservar o interesse nacional;
  • promover o desenvolvimento, ampliar o mercado de trabalho e valorizar os recursos energéticos;
  • proteger os interesses do consumidor quanto a preço, qualidade e oferta dos produtos;
  • proteger o meio ambiente e promover a conservação de energia;
  • utilizar fontes alternativas de energia, mediante o aproveitamento econômico dos insumos disponíveis e das tecnologias aplicáveis
  • Redução da emissão de poluentes locais com melhorias na qualidade de vida e da saúde pública
  • Possibilidade de utilização dos créditos de carbono vinculados ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo decorrentes do Protocolo de Kioto
  • Sedimentação da tecnologia de produção agrícola e industrial
  • Lubricidade otimizada
  • Número de cetano mínimo 51
  • Sem a presença de aromáticos (benzeno)
  • Estável e com boa atividade
  • Ajuda na eficiência de catalisadores
  • tecnologia atual permite aos veículos Diesel atender a norma EURO III, dispositivos de retenção de particulados - filtros regenerativos (com B100 poderão operar melhor pela ausência de enxofre e material particulado)
  • Perspectiva de exportação de Biodiesel como aditivo de baixo conteúdo de enxofre, especialmente para a União Européia onde o teor de enxofre está sendo reduzido paulatinamente de 2000 ppm em 1996, para 350 ppm em 2002, e 50 ppm em 2005.
  • Melhora o número de cetano (melhoria no desempenho da ignição) e lubricidade (redução de desgaste, especialmente do sistema de ignição).
  • Ampliação da vida útil do catalisador do sistema de escapamento de automóveis.
  • O biodiesel é uma alternativa tecnicamente viável para o diesel mineral, mas seu custo hoje, de 1,5 a 3 vezes maior, o torna não competitivo, se externalidades positivas, como meio ambiente local, clima global, geração e manutenção de emprego, balanço de pagamentos não forem consideradas. Esses custos já consideram todos os créditos por subprodutos (uso da torta residual; glicerina). Não são previstas possibilidades de reduções significativas no custo de produção, para os óleos vegetais usados na Europa para biodiesel. Trata-se de processos agrícolas e industriais muito conhecidos, “maduros” e eficientes. O custo de referência, de diesel mineral, sem impostos, utilizado nesta análise é de US$ 0.22/ litro;
  • Desvantagens:

  • Os grandes volumes de glicerina previstos (subproduto) só poderão ter mercado a preços muito inferiores aos atuais; todo o mercado de óleo-químicos poderá ser afetado. Não há uma visão clara sobre os possíveis impactos potenciais desta oferta de glicerina.
  • No Brasil e na Ásia, lavouras de soja e dendê, cujos óleos são fontes potencialmente importantes de biodiesel, estão invadindo florestas tropicais, importantes bolsões de biodiversidade. Embora, aqui no Brasil, essas lovouras não tenham o objetivo de serem usadas para biodiesel, essa preocupação deve ser considerada.

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Plano Nacional de Agroenergia

Plano Nacional de Agroenergia

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Resumo Executivo

O Plano Nacional de Agroenergia objetiva, a partir da análise da realidade e das perspectivas futuras da matriz energética mundial, organizar uma proposta de Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação e de Transferência de Tecnologia, com vistas a conferir sustentabilidade, competitividade e maior eqüidade entre os agentes da das cadeias de agroenergia, em conformidade com os anseios da sociedade, as demandas dos clientes e as políticas públicas das áreas energética, social, ambiental, agropecuária e de abastecimento.

O presente Plano é uma ação estratégica do Governo Federal, vinculada à sua política global, consubstanciada no documento Diretrizes de Política de Agroenergia.
A análise da demanda projetada de energia no mundo indica um aumento 1,7% ao ano, de 2000 a 2030, quando alcançará 15,3 bilhões de toneladas equivalentes de petróleo (TEP, ou toe, na sigla internacional, em inglês) por ano, de acordo com o cenário base traçado pelo Instituto Internacional de Economia (Mussa, 2003). Em condições ceteris paribus, sem alteração da matriz energética mundial, os combustíveis fósseis responderiam por 90% do aumento projetado na demanda mundial, até 2030.
No entanto, as reservas comprovadas de petróleo do mundo somam 1,137 trilhões de barris, 78% dos quais no subsolo dos países do cartel da OPEP. Essas reservas permitem suprir a demanda mundial por 40 anos, mantido o atual nível de consumo. É evidente que tanto as reservas quanto o consumo se incrementarão, ao longo deste período. Estima-se que a demanda deva crescer, em média, 1,7% ao ano, o que elevaria o consumo de petróleo para 120 milhões de barris/dia, em 2025.

O break even, em condições ceteris paribus, entre o preço do álcool e da gasolina (tributação exclusa) oscila entre US$30 e US$35,00. Por ser uma tecnologia ainda imatura, a mesma relação é estimada em torno de US$60,00 para biocombustíveis derivados de óleo vegetal. Isso posto entende-se que as condições econômicas estão postas, em forma estrutural, para a viabilização da agroenergia enquanto componente de alta densidade do agronegócio. As pressões social (emprego, renda, fluxos migratórios) e ambiental (mudanças climáticas, poluição) apenas reforçam e consolidam essa postura, além de antecipar cronogramas.

O Brasil é o país do mundo que reúne o maior quantitativo de vantagens comparativas para liderar a agricultura de energia. A primeira vantagem comparativa que se destaca é a perspectiva de incorporação de áreas à agricultura de energia, sem competição com a agricultura de alimentos, e com impactos ambientais circunscritos ao socialmente aceito. O segundo aspecto a considerar é a possibilidade de múltiplos cultivos dentro do ano calendário.

Por situar-se, predominantemente, na faixa tropical e subtropical do planeta, o Brasil recebe intensa radiação solar, ao longo do ano. A energia solar é a base da produção da bioenergia e a densidade desta, por unidade de área, depende, diretamente, da quantidade de radiação solar incidente. Em decorrência de sua extensão e localização geográfica, o Brasil apresenta diversidade de clima, exuberância de biodiversidade e detém um quarto das reservas superficiais e sub-superficiais de água doce.

Finalmente, o Brasil é reconhecido por haver assumido a liderança na geração e implantação de tecnologia de agricultura tropical, associada à uma pujante agroindústria, em que um dos paradigmas é justamente a agroindústria de etanol, reconhecida como a mais eficiente do mundo, em termos de tecnologia de processo e de gestão.

Embora em expansão e, sobretudo, desejável, o Brasil não é dependente do mercado internacional para assegurar a sua competitividade. Dispondo de um invulgar mercado consumidor interno, o Brasil pode alavancar um negócio poderoso na área de agroenergia, com invulgar competitividade no âmbito do biotrade.

No curto prazo, a principal força propulsora do crescimento da demanda por agroenergia será a pressão social pela substituição de combustíveis fósseis. Considere-se que a concentração de CO2 atmosférico teve um aumento de 31% nos últimos 250 anos, atingindo, provavelmente, o nível mais alto observado nos últimos 20 milhões de anos. Os valores tendem a aumentar significativamente se as fontes emissoras de gases de efeito estufa não forem controladas, como a queima de combustíveis fósseis e a produção de cimento, responsáveis pela produção de cerca de 75% destes gases.

Os principais fatores que impulsionam o desenvolvimento tecnológico para aproveitamento da biomassa energética são:

a. a crescente preocupação com as mudanças climáticas globais que, no ponto futuro, convergirão para políticas globais de redução da poluição;

b. o reconhecimento da importância da energia de biomassa para efetuar a transição para uma nova matriz energética e substituir o petróleo como matéria prima, em seu uso como combustível ou insumo para a indústria química;

c. a crescente demanda por energia e as altas taxas recentes de uso de biomassa energética. Os países em desenvolvimento demandarão 5 TW de energia nova, nos próximos 40 anos, sendo inadmissível imaginar que essa energia possa ser proveniente de fontes fósseis, pelo seu alto impacto ambiental, pelo custo financeiro crescente e pelo esgotamento das reservas;

d. os custos ambientais serão paulatinamente incorporados ao preço dos combustíveis fósseis, através de tributos punitivos (taxa de poluição), tornando-os progressivamente mais caros, fator agravado com o aumento natural de preços, devido ao esgotamento das reservas e aos conflitos regionais;

e. o preço também oscilará, mantendo tendência crescente, em função das disputas políticas e bélicas pelas últimas reservas disponíveis, tornando inseguros os fluxos de abastecimento e o cumprimento de contratos de fornecimento de petróleo;

f. cresce, em progressão logarítmica, o investimento público e privado no desenvolvimento de inovações que viabilizem as fontes renováveis e sustentáveis de energia, com ênfase para o aproveitamento da biomassa;

g. também cresce o número de investidores internacionais interessados em contratos de largo prazo, para o fornecimento e biocombustíveis, especialmente o álcool e, em menor proporção, obiodiesel e outros derivados de biomassa;

h. a energia passará a ser um componente importante do custo de produção agropecuário e da agroindústria, tornando progressivamente atraente a geração de energia dentro da propriedade.

Lastreado nos fatos e premissas expostos, o objetivo principal da Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação e Transferência de Tecnologia em agroenergia é o de desenvolver e transferir conhecimento e tecnologias que contribuam para a produção sustentável da agricultura de energia e o uso racional da energia renovável, visando a competitividade do agronegócio brasileiro e o suporte às políticas públicas.
Os objetivos específicos, vinculados ao atendimento das pressões sociais, das demandas dos clientes e das políticas públicas, são:

a. Apoio à mudança da matriz energética, com vistas à sua sustentabilidade;

b. Propiciar condições para o aumento da participação de fontes de agroenergia na composição da matriz energética;

c. Gerar condições para permitir a interiorização e regionalização do desenvolvimento, fundado na expansão da agricultura de energia e na agregação de valor na cadeia produtiva;

d. Suportar oportunidades de expansão do emprego no âmbito do agronegócio;

e. Permitir a ampliação das oportunidades de renda, com distribuição mais eqüitativa entre os atores;

f. Contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa;

g. Contribuir para a redução das importações de petróleo;

h. Contribuir para o aumento das exportações de biocombustíveis.

As principais diretrizes que norteiam a agenda de PD&I e TT remetem à sustentabilidade da matriz energética, à sustentabilidade e autonomia energética comunitária, à geração de emprego e renda, à otimização do aproveitamento de áreas antropizadas, à conquista e manutenção da liderança do biotrade, ao suporte à formulação de políticas públicas, à sustentabilidade, competitividade e racionalidade energética nas cadeias do agronegócio nacional e de maximização do aproveitamento de fatores de produção e ao desenvolvimento de soluções que integrem a geração de agroenergia e a eliminação de perigos sanitários ao agronegócio.

A estratégia para a consecução desses objetivos pressupõe uma equipe técnica multidisciplinar organizada em forma de redes cient, parcerias organizacionais e estratégicas, a mobilização de competências, o empreendedorismo, o treinamento e a garantia de fontes de financiamento.

Sob o aspecto temporal, o programa de PD&I e TT deve contemplar metas de curto, médio e longo prazos. No tocante à dimensão geográfica deve­se atentar para tecnologia adequada aos diferentes ecossistemas e ambientes. A interface ambiental das tecnologias a serem desenvolvidas devem atentar para os quesitos de proteção do ambiente e redução de danos. Do ponto de vista social, o programa de PD & I deve levar em consideração a necessidade de ampliar as oportunidades de emprego e renda, bem como de distribuição eqüitativa, atentando para a sustentabilidade dos sistemas, a qualidade de vida, mitigando a penosidade do trabalho e conferindo autonomia para trabalhadores rurais ou suas organizações.

A dimensão disciplinar deve atentar para o desenvolvimento de tecnologia agronômica que permita obter matéria prima adequada, o desenvolvimento de processos sustentáveis e em conformidade com as normas e regulamentos, bem como atentar, integradamente, para a cadeia produtiva, em especial para co-produtos, sub-produtos, dejetos e resíduos da produção agrícola ou agroindustrial.

A atuação ocorrerá no cerne das principais cadeias produtivas (etanol, biodiesel, biomassa florestal, biogás e resíduos agropecuários e da agroindústria) e sistemas conexos, de forma integrada com os princípios do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Transversalmente às cadeias produtivas, serão contempladas as seguintes prioridades estratégicas:

a. Elaboração de estudos de caráter sócio econômico e estratégico, como a formação e manutenção de bancos de dados, o desenvolvimento de cenários, os estudos prospectivos, as avaliações ex-ante e ex-post, a preparação de subsídios para políticas públicas na área energética e suas conexões com temas ambientais, econômicos, sociais e negociais. Elaboração de estudos de competitividade, de entraves ao desempenho das cadeias, de nichos e oportunidades de mercado, de atração de investimentos, de investimento em logística, de estratégia e geopolítica, também compõe esta faceta da agenda;

b. Capacitação do corpo técnico-científico em temas ligados ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, de modo a incrementar a formação de novas redes de pesquisa, bem como fomentar as existentes, tendo em vista que as vertentes envolvidas são extremamente novas, dinâmicas e multidisciplinares;

c. Incorporação na cultura dos programas de desenvolvimento científico e tecnológico a visão do MDL, em programas de melhoramento genético de culturas de valor econômico, boas práticas agrícolas, impacto nos biomas, manejo nutricional de ruminantes e questões ligadas à redução de emissões de GEE nos sistemas de produção em toda a cadeia agropecuária, consolidando uma base de dados que permita análises preditivas no contexto do desenvolvimento sustentável, de forma coordenada com iniciativas territoriais, regionais e globais;

d. Elaboração dos balanços energéticos dos ciclos de vida das cadeias produtivas do agronegócio brasileiro, objetivando substituir fontes de carbono fóssil por fontes provenientes da agroenergia, reduzindo, progressivamente, a demanda energética dos sistemas de produção;

e. Efetuar o zoneamento agroecológico de espécies vegetais importantes para a agricultura de energia;


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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Polo Petroquimico

Pólo Petroquímico do Rio tem investimentos iniciais de US$ 8,4 bilhões







Rio de Janeiro - A Petrobras inicia hoje (31) em Itaboraí as obras de terraplanagem do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), o maior empreendimento industrial das últimas décadas no país e um dos maiores do mundo no setor. Os investimentos iniciais são de US$ 8,4 bilhões.

O complexo vai gerar mais de 200 mil empregos diretos e indiretos e processará petróleo pesado proveniente da Bacia de Campos, no norte fluminense, para produzir matéria-prima petroquímica e derivados.

A cerimônia contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, além dos diretores da estatal.

O empreendimento contará com a participação de sócios privados, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o grupo Ultra. Terá capacidade para processar até 150 mil barris/dia de petróleo pesado, utilizando para isso uma Unidade de Produção de Petroquímicos Básicos (UPB) e seis unidades petroquímicas de segunda geração.

Estão incluídos no empreendimento o Centro de Integração de São Gonçalo (município da área metropolitana do Rio), uma base logística também em São Gonçalo e o duto de fornecimento de petróleo.

Previstas inicialmente para começar no quarto trimestre deste ano, as obras de implantação do Comperj foram antecipadas em razão do entendimento que vem sendo mantido com o governo do estado para acelerar o projeto – previsto entre as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

Em cerimônia no Palácio Guanabara na semana passada, a Petrobras, representada pelo diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, recebeu do governador Sérgio Cabral Filho a licença prévia do Complexo Petroquímico do Rio.

Com custo aproximado de R$ 820 milhões, as obras de terraplanagem devem movimentar 45 milhões de metros cúbicos de terra, o equivalente, segundo o diretor Paulo Roberto Costa, a 12 estádios do Maracanã lotados de terra. A primeira fase de obras deve se estender até o fim do primeiro semestre de 2009, gerando mais de 2 mil empregos diretos.

O pólo, segundo a Petrobras, modificará a estrutura da petroquímica brasileira e reduzirá a dependência do setor externo por insumos básicos. Em sua primeira fase, serão produzidos apenas os itens de primeira geração (óleo diesel, eteno, propeno, benzeno, paraxileno e butadieno). Na segunda fase, entrarão os produtos de segunda geração, como o polietileno, polipropileno, PET, PTA, etilenoglicol e estireno, em sua maioria produtos voltados para a indústria do setor de plástico.

A primeira unidade a ser implantada no Comperj será a Unidade Petroquímica Básica (central petroquímica de primeira geração), com investimentos totais estimados em US$ 3,5 bilhões, destinados à produção de matérias-primas básicas (eteno, propeno, benzeno e paraxileno) e outros derivados de petróleo.

Ela se destinará a compor o núcleo para o desenvolvimento de um grande parque industrial, reunindo uma central de utilidades e empresas de produtos de segunda geração como polietileno, estireno, polipropileno, paraxilenos e etileno-glicol.

A partir de uma carga de 150 mil barris/dia de petróleo produzido pela estatal na Bacia de Campos, o Complexo Petroquímico deverá gerar anualmente 1,3 milhão de toneladas de eteno, 900 mil toneladas de propeno, 360 mil toneladas de benzeno e 700 mil toneladas de para-xileno, além de derivados de petróleo, principalmente coque.

As informações da Petrobras indicam que o empreendimento também viabilizará a implantação, nas proximidades e em outras regiões, de empresas de terceira geração, que irão processar as matérias-primas da unidade básica para fabricação de produtos de consumo em larga escala, tais como utensílios e garrafas de plástico, tecidos sintéticos, tintas, embalagens, fibras, componentes para computadores, veículos, aviões e construção civil, entre outros.


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Biocombustível

Biocombustível é qualquer combustível de origem biológica, que não seja de origem fóssil. É originado de mistura de uma ou mais plantas como: cana-de-açucar, mamona, soja, cânhamo, canola, babaçu, lixo orgânico, entre outros tipos.

Tipos de biocombustível

São considerados biocombustíveis, no âmbito do decreto-lei nº 62/2006 de Portugal (decreto-lei que transpõe para a Directiva n.º 2003/30/CE e cria mecanismos para promover a colocação no mercado de quotas mínimas de biocombustíveis, prevê dez tipos) os produtos:

Bioetanol: etanol produzido a partir de biomassa e ou da fracção biodegradável de resíduos para utilização como biocombustível;

Biodiesel: éster metílico e/ou etílico, produzido a partir de óleos vegetais ou animais, com qualidade de combustível para motores diesel, para utilização como biocombustível;

Biogás: gás combustível produzido a partir de biomassa e ou da fracção biodegradável de resíduos, que pode ser purificado até à qualidade do gás natural, para utilização como biocombustível, ou gás de madeira;

Biometanol: metanol produzido a partir de biomassa para utilização como biocombustível;

Bioéter dimetílico: éter dimetílico produzido a partir de biomassa para utilização como biocombustível;

Bio-ETBE (bioéter etil-terc-butílico): ETBE produzido a partir do bioetanol, sendo a percentagem em volume de bio-ETBE considerada como biocombustível igual a 47%;

Bio-MTBE (bioéter metil-terc-butílico): combustível produzido com base no biometanol, sendo a percentagem em volume de bio-MTBE considerada como biocombustível de 36%;

Biocombustíveis sintéticos: hidrocarbonetos sintéticos ou misturas de hidrocarbonetos sintéticos produzidos a partir de biomassa;

Biohidrogénio: hidrogénio produzido a partir de biomassa e ou da fracção biodegradável de resíduos para utilização como biocombustível;

Óleo vegetal puro produzido a partir de plantas oleaginosas: óleo produzido por pressão, extracção ou processos comparáveis, a partir de plantas oleaginosas, em bruto ou refinado, mas quimicamente inalterado, quando a sua utilização for compatível com o tipo de motores e os respectivos requisitos relativos a emissões.

Histórico

Os biocombustíveis nos são apresentados como alternativas aos combustíveis fósseis, visto que são energias renováveis. São consideradas energias renováveis quando a sua produção ultrapassa o seu consumo. O que não acontece claramente com os combustíveis fósseis. Assim, Biocombustível é qualquer combustível de origem biológica, que não seja de origem fóssil.

Na língua francesa é feito uma diferença entre os termos: Biocombustível; biocarburante e agrocarburante. Agrocarburantes são combustíveis para motor (automóveis e outros) obtidos a partir de produtos agrícolas produzidos para esse fim.

Há também biocombustíveis produzidos a partir de óleos usados.

Balanço ambiental e social

O balanço ambiental dos biocombustíveis depende da fileira considerada (álcool, óleo vegetal puro, biodiesel, etc.) e do tipo de agricultura praticado (agricultura intensiva, agricultura biológica, etc.).

Nos biocombustíveis resultantes da reciclagem dos óleos usados pode considerar-se que há um balanço ambiental positivo, pois esses óleos poderiam ser poluentes ou ter um uso menos eficiente.

Quanto aos biocombustíveis produzidos a partir de produtos agrícolas, para fazer um balanço ambiental é preciso ter em conta o impacto dos adubos e dos pesticidas utilizados, do consumo de água que pode ser muito importante para certas espécies vegetais, do impacto na biodiversidade quando imensas zonas de cultura substituem áreas muito ricas em espécies (florestas tropicais e outros «hot spots» como a zona mediterrânica). O balanço de CO2 dos biocombustíveis não é neutro tendo em conta a energia necessária à sua produção, mesmo que as plantas busquem o carbono à atmosfera: é preciso ter em conta a energia necessária para a produção de adubos, para a locomoção dos tractores agrícolas, para a irrigação, para o armazenamento e transporte dos produtos. A fileira do óleo vegetal puro tem um melhor balanço que a do biodiesel.

Limites

A produção de biocombustíveis necessita de importantes superfícies cultiváveis. Segundo Jancovici seria necessário cultivar 118% da superfície da França em girassol para substituir na íntegra as 50Mtep de petróleo consumido cada ano pelos franceses nos transportes. Grande parte dos biocombustíveis são produzidos com óleo de palma, ora a plantação de palmeiras é responsável de 80% da desflorestação na Malásia, mas também noutros países como a Indonésia, o Kénia, o Congo, a Nigéria, a Libéria, o Brasil, a Colômbia… Muitas espécies poderão deixar de existir em liberdade em consequência das plantações como o orangotango ou o rinoceronte de Sumatra. O cultivo intensivo de plantas para biocombustíveis pode acentuar a erosão dos solos. A combustão de óleo de girassol produz acroleína, um produto sufocante e altamente cancerígeno. O balanço ecológico do etanol não é bom devido ao fraco rendimento da fermentação alcoólica que produz muito CO2. Os biocombustíveis podem ter consequências sociais importantes sobre os países do Sul, a cultura de plantas para biocombustíveis para os países do Norte é mais rentável que a agricultura destinada a alimentar as populações locais. Uma parte importante das terras agrícolas vai ser utilizada para produzir biocombustíveis em vez de comida. Outra consequência é a subida dos preços dos alimentos provocada pelo aumento da procura dos mesmos para produzir biocombustíveis. Em Portugal no início de Julho de 2007, o milho estava a 200 euros por tonelada (152 em Julho de 2006), a cevada a 187 (contra 127), o trigo a 202 (137 em Julho de 2006) e o bagaço de soja a 234 (contra 178).

OCDE e FAO questionam biocombustíveis

Segundo o relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos) e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) sobre as perspectivas da agricultura mundial na próxima década, divulgado na quarta-feira 4 de Julho de 2007, pode-se verificar uma alta de preços para alguns produtos, com destaque para os cereais.

Analisando o que se passou até agora, a seca em alguns países produtores de cereais e a redução de excedentes devido à procura chinesa e à reforma da Política Agrícola Comum da União Europeia (PAC) explicam os recentes picos nos preços de algumas matérias-primas. "Mas, olhando para o longo prazo, as mudanças estruturais que estão a decorrer vão manter os preços altos para muitos produtos agrícolas na próxima década", diz o relatório. Que mudanças são estas? "A redução dos excedentes e um declínio dos subsídios à exportação contribuem para estas alteração, mas o mais importante é a crescente utilização de cereais, açúcar, oleaginosas e óleos vegetais para produzir substitutos para os combustíveis fósseis, isto é, etanol e biodiesel." O que levará a preços mais altos das culturas, afectando, por arrasto, a alimentação animal, o que se irá reflectir nos custos finais.

Segundo o relatório, na UE, a quantidade de oleaginosas usadas para biodiesel deve aumentar dos actuais dez milhões de toneladas para 21 milhões dentro de dez anos. Nos EUA, o etanol feito a partir do milho vai duplicar até 2016, enquanto, no Brasil, os 21 mil milhões de litros hoje produzidos saltarão para 44 mil milhões.

O relatório sublinha ainda que, na maior parte dos países temperados, a produção de etanol e biodiesel não é viável economicamente sem apoios públicos. O que significa que as decisões políticas que forem tomadas no curto prazo poderão modificar o cenário descrito no estudo. A introdução de novas tecnologias e o preço de petróleo são outras duas variáveis que também contribuem para que ainda persistam muitas incógnitas sobre o futuro deste novo mercado.




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